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Morram para aprender a viver

Há tempos queria voltar a escrever os meus textos sombrios, talvez porque eu seja boa filosofando mais sobre a morte do que sobre a vida, e o post RPG – Encarando a morte acabou me inspirando. Mas, antes de qualquer palavra, quero deixar claro que não sou serial killer, embora já matei muitos seres vegetais (incluindo cactos!). Falar de morte e serial killer e não lembrar de Dexter é como ver uma laranja muito cara na feira e lembrar que laranja não é vermelha por dentro e.. ops! Dexter novamente.

Essa série já foi mencionada nessa Taverna, no post Tonight’s the night, e desde 2006 lembrada muitas vezes na minha vida, não pela vontade de que façam um café americano para mim, mas porque todos temos um passageiro sombrio em segredo, e como Dexter diz: “Não existem segredos na vida. Apenas verdades escondidas que ficam sob a superfície”.

Não tenho a intenção de filosofar sobre as seis temporadas de Dexter até porque não lembraria detalhes, apenas o tema de cada uma, mas agora com duas novas temporadas garantidas muitas coisas ainda podem mudar. Essa sexta temporada com o tema Fé passa longe de pregar a religião, nela se discute o que é a fé e natureza humana e como agimos sozinho despidos diante ao desespero.

Além disso, essa temporada reforça um pensamento que sempre tive: algumas pessoas merecem morrer sozinhas com seu orgulho, seu egoísmo e suas decepções guardadas numa caixinha, precisam da solidão na morte, momento que mostra quem realmente somos. Maldade? Não. Talvez a morte seja o único momento que lembrará e assumirá o que foi na vida. (Agora, entre nós: será que no final da oitava temporada Dexter morrerá sozinho abraçado com sua caixinha?) Continue lendo

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A morte, duas formas.

Confesso que desenhos japoneses não são o meu forte, nem para desenhar, nem para ler, nem para assistir. Mas, quando vasculhamos nosso passado sempre encontramos algo que vimos, gostamos, às vezes guardamos e esquecemos lá, guardado numa caixa, numa estante ou num HD. Sempre quando encontro essas surpresas tenho vontade de revivê-las, mesmo sabendo o final, porque simplesmente vale a pena.

Dois animes que fazem parte dessa caixinha de surpresas são parte de um universo obscuro e temido por alguns, o universo da morte. A morte em duas diferentes formas: a morte matada e a morte morrida.

DeathNote foi um anime que me fez perder os preconceitos sobre desenhos animados japoneses. Representante da morte matada surreal (um “Dexter”, um tanto inexperiente misturado à lenda japonesa) em seus capítulos, o Caderno da Morte traz várias interpretações, a espiritualidade versus ceticismo.

Com um ar americanizado de trama policial racional reacende a espiritualidade através do poder de brincar de Deus manipulando o tempo de vida e o tipo de morte que alguém terá, assim, de forma simples e fria.

Já Hotaru no Haka, ou Cemitério dos Vagalumes, década de 80, retrata a morte morrida na triste esfera da Segunda Guerra Mundial, tão real e ingênua que só tive coragem de assistir a versão em desenho porque desconsidero a possibilidade de assistir essa temática com esses personagens de forma mais real, por censura própria e contenção de lágrimas. Então deixo a versão livro e filme para os fortes.

 

Duas faces da mesma moeda, a morte e a vida, recontadas fora dos quadrinhos, mas com traços e enquadramentos nada infantis. DeathNote e Hotaru no Haka, são grandes exemplares da adaptação dos quadrinhos japoneses que mesmo velhos, já assistidos e guardados, são bons retratos da boa morte.

Duas questões relevantes trazida na série e no filme: viver e morrer. Vale mais a pena saber quando e como irá morrer ou vale mais viver podendo morrer a qualquer momento?

O tempo passa e a maneira de ver e interpretar as histórias se transforma com ele, por isso algumas histórias merecem relembrar, mesmo já sabendo o final.

Reviva e reaprenda. Acrescenta.

Boa morte!