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Adeus? Jamais.

Eis o ponto, taverneiros. Quero saber uma coisa de vocês. Como vocês se despedem de alguém? Tchau? Até mais? Até? Adeus? Pois bem. Sou daquelas que não gosta de usar adeus. Acho adeus muito triste, para baixo. Como dizia Noel Rosa, adeus é uma palavra que faz chorar. Por isso não uso, para mim é como dizer “acabou, foi finito”.

Então cá estou para me despedir dessa Taverna com um tchau. Tchau como se eu fosse ali na adega comprar mais cerveja,  dizendo: “Logo mais te vejo!”. (Foi mais ou menos isso que eu disse para minha mãe quando eu saí de casa, mas neste caso eu usei padaria e pão). Realmente, olhar agora para Taverna Filosófica me fez lembrar de quando saí da casa dos meus pais. Não consegui levar muitas coisas, foi só o necessário, o necessário para uma nova mulher.

Minha antiga-nova kitinete era do tamanho do meu antigo-antigo quarto, só que tinha que caber: uma mini geladeira, um fogão duas bocas, tv 14”, computador, microondas, cama, guarda-roupas de duas portas, quatro cobertas e uma mesa robusta para apoiar minhas folhas A1 e, ah,  minha régua paralela de 1m. Mágico! Cabia.

Kitinete da Tatita - 2006

A kitinete era tão entulhada e mesmo assim gostava tanto de estar ali, queria vê-la mais bonita, uma bagunça arrumada, porque eu era parte daquela bagunça. Pintarei a parede! É. Resolvi pintar mesmo, com tudo dentro de 23m² de área útil, já contando com o banheiro-lavanderia. Tudo não, confesso. Ficou sem pintar atrás do guarda-roupas, atrás da cama e atrás da mala G, que era o meu criado-mudo. Ali atrás nem aparecia mesmo! Ainda tenho alguns moletons que contam melhor essa história. Continue lendo


Tchau Radar!

Sou daquelas que interpreta uma história, valoriza algumas partes e que chega a uma conclusão conforme o número de batimentos cardíacos que o enredo provoca em mim. Existem vários botõezinhos na minha cabeça que estão divididos em grandes tags: os papos “cabeça”, os que relaxam a minha cabeça e os que me fazem perder a cabeça. Tento equilibrá-las, mas perder a cabeça é a tag que mantém meu coração vivo. Irônico, pois sem cabeça meu coração não deveria funcionar…

A música é meu aparelho de pressão arterial que mede como estou me sentindo naquele determinado momento. Da última vez que filosofei sobre música, analisei o álbum 21 de Adele, no post “Adele, sabor Chandelle”; a pressão arterial começou alta e foi abaixando, até o fim do texto quando cheguei à conclusão de que “homens também choram e mulheres nunca esquecem uma paixão”. 

Nesse texto, pretendo fazer o mesmo e interpretarei um álbum, mas dessa vez de um homem que é forte, mas também chora: Humberto Gessinger, aquele que acredita que “as grandes coisas da vida você não escolhe, elas acontecem e são inevitáveis”, ou seja, as coisas que saem do controle.

Tchau Radar é o álbum que representa bem esse termo sair do controle. Não surgiu devido aos radares que limitavam as velocidades das estradas propriamente ditas, como muitos imaginam. Surgiu do radar que controlam a estrada da vida. Quando interpretei o álbum num todo fez com que as canções fizessem mais sentido.

Agora trago uma análise de taverneira para a mesa dessa Taverna, interpreto o álbum como um desabafo de um homem que chora por amor, mas supera a dor de um relacionamento que acabou, como Adele, mas num processo diferente, masculinizado. Continue lendo