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A morte, duas formas.

Confesso que desenhos japoneses não são o meu forte, nem para desenhar, nem para ler, nem para assistir. Mas, quando vasculhamos nosso passado sempre encontramos algo que vimos, gostamos, às vezes guardamos e esquecemos lá, guardado numa caixa, numa estante ou num HD. Sempre quando encontro essas surpresas tenho vontade de revivê-las, mesmo sabendo o final, porque simplesmente vale a pena.

Dois animes que fazem parte dessa caixinha de surpresas são parte de um universo obscuro e temido por alguns, o universo da morte. A morte em duas diferentes formas: a morte matada e a morte morrida.

DeathNote foi um anime que me fez perder os preconceitos sobre desenhos animados japoneses. Representante da morte matada surreal (um “Dexter”, um tanto inexperiente misturado à lenda japonesa) em seus capítulos, o Caderno da Morte traz várias interpretações, a espiritualidade versus ceticismo.

Com um ar americanizado de trama policial racional reacende a espiritualidade através do poder de brincar de Deus manipulando o tempo de vida e o tipo de morte que alguém terá, assim, de forma simples e fria.

Já Hotaru no Haka, ou Cemitério dos Vagalumes, década de 80, retrata a morte morrida na triste esfera da Segunda Guerra Mundial, tão real e ingênua que só tive coragem de assistir a versão em desenho porque desconsidero a possibilidade de assistir essa temática com esses personagens de forma mais real, por censura própria e contenção de lágrimas. Então deixo a versão livro e filme para os fortes.

 

Duas faces da mesma moeda, a morte e a vida, recontadas fora dos quadrinhos, mas com traços e enquadramentos nada infantis. DeathNote e Hotaru no Haka, são grandes exemplares da adaptação dos quadrinhos japoneses que mesmo velhos, já assistidos e guardados, são bons retratos da boa morte.

Duas questões relevantes trazida na série e no filme: viver e morrer. Vale mais a pena saber quando e como irá morrer ou vale mais viver podendo morrer a qualquer momento?

O tempo passa e a maneira de ver e interpretar as histórias se transforma com ele, por isso algumas histórias merecem relembrar, mesmo já sabendo o final.

Reviva e reaprenda. Acrescenta.

Boa morte!

 

 

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