CONTENTE-SE.

“O contentamento é uma ciência misteriosa que só pode advir da vivência individual.”

Hoje encontrei o texto acima entre o que escrevi em outro momento. Reli-me. Revi-me.

A foto acima faz parte do ensaio em forma de foto-poema que fiz para a Bumerangue, multimarca especializada em roupas e assessórios femininos; localizada na cidade de Três Pontas, sul de Minas. O foto-poema “Observação do instante” pode ser visto na página da Bumerangue do facebook, no link: https://www.facebook.com/media/set/?set=a.413584195352077.91351.396401727070324&type=1.

Faça-nos uma visita e confira o ensaio. Aproveite e curta a página para receber todas as atualizações. Curta também a minha página no link: https://www.facebook.com/pages/Paula-Figueiredo/146456762061651.

O slogan da Campanha da Liquidação de inverno da Bumerangue é: “Que mulher você quer ser hoje?”; uma boa pergunta para nos fazermos todas as manhãs.

E você? Que mulher você quer ser hoje? Eu quero ser a mulher que sou.

Abraço para você! Ce la vie!

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O que falar da batalha

O que falar da batalha (perdida?) da educação no Brasil? Sinto-me tão impotente diante do quadro atual que, quase por um segundo, penso em desistir. Mas jamais. Desisto não. Certamente, posso optar por contornar a pedra, ou seja, tentar novos caminhos. As frustrações da vida servem apenas pra me deixar ainda mais realizada, ainda mais certa do caminho que escolhi.
Costumo dizer que sou educadora por opção, não por falta de opção. Isso quer dizer que não tenho uma conduta do tipo “faça o seu dever e volte para casa”. O comprometimento que tenho com o que faço é integral: defendo princípios, tenho consciência que atuo politicamente através de minhas escolhas sociais.  Escolho ao consumir ou não certas mercadorias, escolho em que escola meu filho vai estudar, escolho em qual ambiente e com quais questões pretendo conviver cotidianamente no trabalho…
Escolho. Não vou apenas mantendo uma toada que, por acaso, comecei no passado. Não vou apenas mantendo uma escolha ocasional de ontem. Já vivenciei rupturas significativas: mudei de cidade, de faculdade, de trabalho, viajei para o exterior, casei, separei, tive um filho, comecei um namoro… Escolhi. É certo que algumas dessas escolhas não foram totalmente deliberadas, mas a decisão de permitir que uma escolha do passado continuasse a me influenciar no presente (ou não), esta eu tive e tenho todos os dias. E ter a chance de continuar assim é, para mim, essencial. Liberdade. “Eu sou o que sou porque vivo à minha maneira”, cantou Raul Seixas. Exato.
“Egoísmo não é viver como queremos, egoísmo é querer que os outros vivam como queremos eles vivam.” Essa é do Oscar Wilde. Concordo com ele. Tanto, que não espero obter a adesão de outros ao meu estilo de vida, de pensar e sentir. Amo a diversidade, creio na coexistência entre os diferentes e, porque não, no respeito à alteridade. Alguns prefeririam chamar isso de utopia. Mas eu chamo de respeito.
Alteridade. Você conhece essa palavra? O que ela significa para você? Se nunca a ouviu antes, tire uns minutos e tente advinhar. Advinhou? De acordo com a enciclopédia Larousse (1998), alteridade é um “estado ou qualidade daquilo que é outro, distinto (antônimo de identidade)”. Este é um conceito da filosofia e da psicologia que diz da relação de oposição entre o sujeito pensante (o eu) e o objeto pensado (o não eu, ou seja, o outro).
Convivemos diariamente com diferenças nos outros, no mundo e até mesmo em nós mesmos em relação ao que fomos no passado. De que forma lidamos com isso? Como nos tratamos quando nos reconhecemos diferentes dos demais em um determinado ambiente de convivência social: família, trabalho, amigos e mesmo na relação amorosa? O que fazemos quando nos deparamos com o outro – o estranho, o oposto – em alguém muito próximo de nós? Tentamos convencer-lhes (ou a nós mesmos) de que devem mudar? Ou convivemos com essa diferença a partir de uma perspectiva de reconhecimento mútuo?
E como é abordada esta questão em um ambiente repleto de diversidade, a escola? Como esta questão é abordada por sua família e pelo ambiente escolar que você escolheu para seus filhos? As principais instituições da sua vida – a família, a escola, o trabalho, o círculo de amigos – esperam de você que se iguale ou reconhecem, respeitando a sua individualidade própria – e, portanto, diferente – a sua alteridade? E como você age com aqueles que são parte integrante e fundamental de sua vida nesta questão?

Filme,pré-estreia, festa e exposição – Raul: O início, o fim e o meio

Olá Taverneiros, tenho várias novidades sobre o nosso mentor taverneiro-filosófico-muluco-beleza, mais conhecido como Raul Seixas. O mês de março está repleto de Raulzito: filme, pré-estreia, festas e exposição.
É com muita felicidade que faço a divulgação da estreia do filme e da exposição, “Raul: O início, o fim e o meio” aqui na Taverna. Tive o prazer e o privilégio de assistir o filme que foi exibido pela primeira vez na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo – 2011. Exibido em duas salas lotadas, no Shopping Frei Caneca, o filme não só emocionou os fãs do Raul, como também fez a plateia entoar um canto emocionado ao relembrar a vida e as músicas do Maluco Beleza e que ao final recebeu um merecido e caloroso aplauso e vários gritos de “Toca Raul”. Não foi à toa que o filme levou o Prêmio de público e Prêmio Itamaraty de melhor documentário brasileiro da Mostra.
O filme estreia nos cinemas agora 23 de março e para os Raulseixistas de plantão haverá pré-estreias do filme no dia 15 de março. E para quem desejar cantar e se emocionar com as músicas do Maluco Beleza haverá festa de pré-estreia do filme no dia 20 de março, no Adega Original, São Paulo. Atrações: Putos Brothers Band e convidados especiais.
Foi aberta agora no dia 10, no Metrô Paraíso, São Paulo, a exposição “Raul: O início, o fim e o meio” que exibe a discografia, a cronologia da vida e obra do Raulzito, além de fotos e manuscritos das letras das músicas compostas por ele. A exposição fica em cartaz de 10 a 31 de março.
Para mais detalhes clique aqui e acesse o Estrambólica Arte onde foram disponibilizados os links e mais informações.

Vai uma banana?

Estamos em Março, o mês considerado pela ONU o mês da mulher. É isso mesmo: o mês que possui em si o “Dia Internacional da Mulher”, 8 de março é também ele todo consagrado à mulher. Se você sabe o que aconteceu neste dia para que levasse esse título, parabéns. Se não sabe, leia isto: http://estrambolicarte.blogspot.com/2012/03/historia-do-8-de-marco.html.

A banana de Andy Warhol, grande ícone da Pop Art, foi feita especialmente para o disco da banda The Velvet Underground.

“Tortura que ela atura com fartura no viver social, então leve uma banana, também social”, cantou Tom Zé em sua música “Vibração da Carne”.  Artístico, lírico, lúdico, crítico, gênio, Tom Zé é de fibra. Um cara que não tem medo de mostrar a cara. Faz questão de ser ele mesmo e de dizer o que pensa. Não se encaixa neste status quo moderno focado na noção de que pra ser bom tem que ser belo, novo, magro e rico. Tom não muda de tom para satisfazer a demanda externa. Ele é fiel à sua  essência, à sua raiz; vive aquilo em que acredita. E distribui bananas pra quem  insiste em falar mal dele sem o conhecer. A banana acima vai para o homem que trata mal a sua mulher.  Vai também para o homem que  não reconhece o valor humano da parceira e para a mulher que não se dá o valor que tem.

A música “Vibração da Carne” é uma das várias que compõem o álbum “Estudando o Pagode – Opereta do segregamulher e amor”.  O disco propõe uma discussão sobre a segregação da mulher na sociedade. O tema é abordado com a classe e irreverência que são praxes da obra do músico bahiano de 75 anos, misturando ironia, humor e poesia num tacho só. Os hits “O amor é um rock” e “Mulher navio negreiro” se destacam no quesito ritmo e musicalidade, mas não deixam a desejar em criticidade e engajamento social. “Quero Pensar” e “Estúpido Rapaz” sugerem uma ruptura com conceito herdado da tradição judaico-cristã, em que a mulher é associada a palavras como “pecado”,  “demônio” e “diabo”.

O estudo do pagode feito pelo bahiano – que foi forçado a fazê-lo por ser vizinho de pessoas que ouviam o ritmo musical periodicamente em volume alto – revela que o maniqueísmo encontrável na Bíblia não foi abandonado quando se trata de conceituar a mulher moderna. As imagens da mulher  encontradas no pagode oscilam entre um extremo e outro: ora santa imaculada ora prostituta diabólica. Deve-se procurar evitar o uso desses esteriótipos e humanizar a imagem da mulher, quebrando paradigmas historicamente construídos. Um homem que diz que uma mulher – ser humano tanto quanto ele – é “o diabo” está nú. Seu discurso revela dele o seu “encubado, calado, colado, pirado pavor do segredo sagrado” da intimidade sexual e do amor personificado na mulher, como canta Tom na faixa “Mulher, navio negreiro”.

Em “Prazer Carnal”, “Duas Opiniões” e “Ave Dor Maria” pode-se notar forte crítica à apologia do sofrer – a crença de que o sofrimento é próprio do amor – encontrável em grandes doses no discurso religioso.  Essa concepção é embasamento fundamental para que mulheres no Brasil entreguem suas vidas a homens capazes de atos desumanos para manterem intacto o seu senso de masculinidade, posto em prova pela relação a dois desequilibrada. E tudo em nome do amor. E tem o agravante do ideal romântico digno de “princesas Disney” que ajuda a deixar a mulherada bem dócil e passiva quando submetida à violência, à agressão e à privação. “Seja simpática, seja educada e amável. Seja submissa.”  Desde cedo, a mulher aprende que,  em nome do amor, vale tudo, até mesmo ferir a si mesma. Desrespeitar-se. Estar à mercê do “predador”. Tá na hora de mudar esse quadro. O começo: não ensinar isso para nossas filhas e filhos.  Criá-los com capacidade de criticar tal produto. Para que não criemos vítimas de um futuro em que subsista a opressão.

Vejam como as mulheres não são as únicas vítimas dessa herança religiosa e cultural.  Tom diz que o seu disco é “masculinista”, pois vê o machismo como desfavorável para o homem que, não se conscientizando do mal que faz – por falta de reflexão e comodidade com lugar social que ocupa – acaba por se tornar vítima de um padrão: o da incapacidade de satisfazer a sua mulher e, mais radicalmente, a dificuldade em manter uma relação em que a parceria entre homens e mulheres efetivamente se realize. Tudo o que relatei contribui para manter altos os índices de violência e atentados à vida, à saúde física, psíquica e emocional da mulher, assim como aqueles que atualmente o Brasil ostenta.

“Baião de dois não dá pra fazer sem dividir a bênção do prazer”, aponta Tom ainda na faixa “Vibração da Carne”, relacionando a dificuldade da mulher em alcançar o orgasmo com essa tradição do discurso machista de se considerar por direito possuídor de mais  privilégios que ela, até mesmo no campo do sexo. “O que pergunto aos homens é se será que vale a pena continuar tratando mal a mulheres, dando o prejuízo que isso dá? Se você tem a companheira do homem com o pé atrás, desconfiada, ela então… (…) não lhe mostra (o segredo sagrado da intimidade profunda) porque você é um inimigo em potencial. Você ajudou incutir nela uma porção de infernos”, atesta o músico. Abaixo, no vídeo, Tom descreve por si mesmo esse ponto-de-vista. E diz mais. Diz o que deve ser dito.


Geeks e as tarefas repetitivas

Geeks vs não-geeks nas tarefas repetitivas

Olá Taverneiros, estava navegando pelo Google+ quando de repente vi o gráfico acima. Achei demais e resolvi disponibilizá-lo aqui na Taverna, pois faz muito tempo que não publico nada dessa categoria aqui. Ultimamente estou mais na veia filosófica com os posts da série o ‘O Pulso da Vontade’. Mas, um pouco de humor nerd-geek não faz mal a ninguém, eu já estava com saudade.

Fonte: Google+ clique aqui para acessar  o link.


Ritmo

RITMO. [DO GR. RHYTMÓS. PELO LAT. RHYTMU] S.M. 1. MOVIMENTO OU RUIDO QUE SE REPETE, NO TEMPO, A INTERVALOS REGURALARES, COM ACENTOS FORTES E FRACOS. 2. NO CURSO DE QUALQUER PROCESSO VARIAÇÕES QUE OCORRE PERIODICAMENTE DE FORMA REGULAR. 3. SUCESSÃO DE MOVIMENTOS E SITUAÇÕES QUE EMBORA NÃO SE PROCESSEM COM REGULARIDADE ABSOLUTA, CONSTITUEM UM CONJUNTO FLUENTE E HOMOGÊNEO NO TEMPO.

Segue a definição de ritmo da exposição: “Nossas ações e movimentos variam de acordo com os diferentes ritmos que a eles imprimimos. Estas diferenças, no entanto, não se dão apenas a partir da nossa predisposição física e mental, mas também em virtude da natureza das situações com as quais nos deparamos e lidamos. Tais situações exigem de nós a busca por um compasso equilibrado”.

Caros leitores, demos uma pausa para acomodar e conciliar as nossas várias atividades do dia a dia, mas agora que as prioridades e atividades foram concluídas estamos de volta aqui na Taverna para mais uma troca de opinião e experiências. O tema é dessa vez é ritmo. Excelente tema para os nossos dias tão acelerados. Ritmo é o compasso que controla nosso movimento na vida e na interação com os outros. O movimento promove o equilíbrio do mundo, pois impulsiona à evolução que dá asas a imaginação para mover o pensamento e concretizar ações. Às vezes é preciso acelerar e às vezes é preciso pausar. Saber a hora exata de acelerar e pausar é uma excelente prática que nos permite uma vida mais tranquila e saudável.

O ritmo é dado de acordo com o pulsar das nossas emoções e desejos, no entanto é preciso levar em conta que não vivemos isolados no mundo, pelo contrário nossa existência faz parte de uma grande orquestra, onde cada movimento deve ser sincronizado com o meio, pois quando esta sincronia não existe o sofrimento e a angustia imperam. A vida não é uma estrada isolada onde acontece um punhado de acontecimentos desconexos. Tudo acontece harmonicamente por uma pura razão de ser. A vida é uma onda que nos arrasta, querendo ou não. Ir contra seu curso, seu ritmo natural é sofrer. Se deixar levar por ela é viver plenamente aceitando o que nos é oferecido.

Olá, gente! Aqui estamos nós e falando justamente, no que? Ritmo! Oh, há quem traduza ritmo como tempo, ou melhor, como NÃO ter tempo. Muita gente que eu conheço por aí tem um ritmo constante de não ter tempo pra nada que importa, pra nada que vale a pena, pra nada que motive e verdadeiramente nos faça feliz.

O meu ritmo é o meu ritmo. Tem hora que é acelerado, tem hora que é dez por hora. Mas não me cutuque, por favor, não me apresse. Não suporto ser pressionada. Faço tudo quanto faço respeitando um ritmo que vem de mim para mim. Conflito? Sim; pois a pergunta que não quer calar é: “O que você aprende ao conviver com o ritmo do outro?”.

Eu aprendo a fazer malabarismos de tempo. Isto sim. Aprendo a ter paciência, aprendo a ceder. Aprendo a parar de ficar assim tão dentro da minha mente. Aprendo a agir com desapego. Aprendo a beleza do bom humor. Aprendo a deixar tudo ser o que é, despreocupando conscientemente. Aprendo a amar. Ritmo é tudo quanto precisamos aprender a coordenar na relação com os demais.

Sou adepta da máxima Time is Art e basicamente o que mais me tortura nesse mundo é a lógica do Time is Money. Mas, cá entre nós caro sistema capitalista, apesar de você amanhã há de ser outro dia. Pois tem gente suficiente trocando de tempo, saindo dessa engrenagem louca de correria e investindo no SEU próprio tempo. Há gentes suficientes que perceberam que você furou. E só você mesmo não viu. Pois o ritmo de vida que você nos impõe é morte. E não vem que não tem.

E você amado leitor? Qual é o seu ritmo? Conte-nos aqui, estamos DOIDAS pra saber tu-di-nho! Filosofemos – há de se ter tempo para se ser o que se é, né?! =))

Carla Oliveira e Paula Figueiredo


Pulso-irrigação

Olá taverneiros, vamos que vamos com a nossa série “O pulso da vontade”.  O tema desta rodada de debates, questionamentos e bate-papo é Pulso-Irrigação, que está intimamente ligado a Impulso. Apresento o conceito de pulso-irrigação sugerido pela exposição do Sesc Vila Mariana (acima, na imagem), e cito uma parte do comentário da nossa amiga Fernanda Gerber. Este trecho ilustra muito bem a proposta do nosso trabalho aqui na Taverna: “Adorei esse boteco, próxima vez que sentar pra ler isso vou trazer meu copo de vinho. Oh mulherada cheia de vida, inquietações, e voz! Coisa linda esse bate-papo! Adorei o post principalmente por que tem um pedacinho de todas nós nele. Digamos que ele foi socialmente construído”.

Fernanda, eu também estou amando tudo isso. Adorei quando você disse que esse post foi “socialmente construído”. A opinião contida nos comentários nos serviu de embasamento para criar e moldar esse trabalho colaborativo. O conceito de colaboração online é justamente várias pessoas colaborando com o fim de gerar conhecimento e novas experiências. Sinta-se a vontade para trazer seu copo de vinho nas próximas leituras, inclusive costumamos fazer alguns brindes em datas importantes aqui na Taverna. A questão do impulso é muito complexa e por isso mesmo é tão importante que ela seja democrática.  Segue as várias faces de Impulso segundo os nossos leitores:

Renata Rezende relaciona impulso a ansiedade: geralmente meu impulso é comandado pela minha ansiedade. Nem sempre o destino é positivo, mas ele me leva a momentos de saciedade, de prazer, de produtividade e também de mediocridade”.

Laura Torres, por sua vez, escreveu algo poético e profundo: “O que me move? Paixão, Inquietação, perda, iniquidade, saudade, sonho e ilusão. Tudo que parece perfeito não foi feito do fácil. Ninguém ensina o caminho. É preciso amar o irreversível.”

Nina Pontello fala de si mesma como sendo de sangue quente, de família italiana, acredita que o impulso é a forma mais profunda da nossa energia: “Eu vivo de impulsos, sou mulher, tenho energia, “sangue quente” de família italiana. Não seria nada sem meus impulsos. Acredito que o impulso é a forma mais profunda da nossa energia, nossa personalidade se mostrar e nos mostrar. O impulso vem da vida que pulsa internamente, brota do coração. E há um conflito enorme entre razão e coração quando agimos por impulso. Nós agimos, acertamos/erramos e o melhor, é quando conseguimos crescer e amadurecer com o resultado deste impulso. Fico pensando quando li este post, sobre o quanto é difícil e algumas vezes até pensamos em ser impossível segurar um impulso… Isso significa vida, significa que estamos nos movendo e não estamos presos a estagnação. Viva!”. Sim, meninas impulso é ansiedade, paixão, inquietação, saudade, sonho, energia, desejos…

A pulsão vital foi muito bem abordada por Cris Araújo: “Hoje busco uma pulsão vital… não impulsos… esses no momento precisam ficar trancafiados… para que eu não perca algo mais que minha alma…”. Assim como as vantagens e desvantagens do impulso: “Ser impulsivo tem vantagens e desvantagens… podem se machucar mais, todavia… vivem plenamente o que desejam… perdem o medo do depois…”.

A culpa e o medo, a racionalidade, a sensação de estar vivo e se entregar ao impulso e principalmente seguir a intuição foram pontos levantados por Nayana Lenzy: “me veio um filme na cabeça, me fez analisar a minha dificuldade em lidar com ele, a culpa e o medo que ainda são presentes, sou uma pessoa extremamente racional e confesso que não são muitos os momentos em que me sinto entregue ao impulso. Também me veio em mente também todos os momentos em que me senti viva, impulsionada a errar e acertar, a dar a cara a tapa, que delícia é quando sigo minha intuição, meu coração, quando acredito nos meus potenciais, no outro, no amor, na amizade, e até mesmo na dor, acreditando no meu amadurecimento e crescimento. O impulso é um desafio em nossas vidas, nos faz conhecer o nosso melhor, mas também nos faz deparar com o nosso pior… e como é bom isso!!”.

Os nossos impulsos vem do coração, disse Tamara Praxedes. “Nos fazem agir sem pensar , por isso eu acho que nem sempre eles nos levam a fazer as coisas certas , mais tem uma vantagem nisso ; mesmo sendo errado você tenta aprender e tirar coisas positivas .Quando nossos impulsos são perigosos e de certa forma prejudicam nosso meio social e afetivo , devemos saber controlá-los . Mais jamais devemos controlar impulsos que possam nos fazer saber mais e aprender com a experiência deles, seja ela boa ou ruim. Até porque não seriamos nada sem eles !

E quem disse que a Taverna é o clube da Luluzinha? A opinião masculina também é muito bem-vinda aqui. Olhem só o que o Eduardo Miranda pensa sobre impulso: “Nós homens somos menos impulsivos, ou então não pensamos muito se se deve ou não levar a cabo atitudes impulsivas. Tem a ver totalmente com coragem, com necessidades físicas, materiais e afetivas, então no meu caso o que faço é tentar mapear os prós e contras, ser fiel ao que se sabe que vai te deixar feliz. Curiosidade e influência de outras pessoas são sentimentos que nos levam a agir impulsivamente mas são também os sentimentos que mais podem te confundir ou mascarar os caminhos alternativos…”.

Tivemos também a participação de Tato Blassioli, falando sobre a importância do sentir: “Achei lindo tantas pessoas que dão atenção ao que sentem, em um momento tão racional. Continuar sentiindo é a melhor forma para impulsionar o sopro divino que é a vida.” Assim como da Erica Gaião que, a partir do tema ‘impulso’ aborda o conceito de vontade: “Porque a vontade é o elemento essencial da relação que estabelecemos com as coisas e com o universo. A vontade é o que me arremessa, e o que de fato me impulsiona. Talvez seja um querer ser, um querer dizer, um querer fazer parte. Sim, a minha vontade é autônoma.” Ai meu Deus, quanto coisa linda! Agora que já discutimos sobre impulso vamos analisar o conceito de pulso-irrigação; deixo essa para minha amiga Paula.

O que será Pulso-irrigação? (Definição na imagem inicial do post). Penso que seria a capacidade de agir conscientemente com o coração. Mas observem; isto aqui não é o mesmo que impulso, não é uma ação irracional, impensada, de supetão. É um modo deinteragir com o meio empreendendo ações que, além de modificar as dinâmicas dos lugares onde atuamos, nos retroalimentam na medida em que nos estimulam a exercitar nossas capacidades”. É uma  ação certeira, que traz bons resultados e nos impulsiona pra além, para frente, para fora, trazendo contentamento.

Agir, não reagir. Sentem a diferença? O pulso-irrigação é o meio-termo entre agir com a razão – friamente, sem considerar o sentimento, usando basicamente a lógica – e agir com impulsividade. Ação consciente, refletida, pulso-irrigada, sentida, vivida, de coração. Caros leitores, quem de vocês age e consegue não reagir? Quem aqui consegue refrear os seus impulsos e se observar em fúria para, depois, relaxado e tranquilo agir de forma a trazer a tona o melhor de uma situação? Reagir fere, agir constrói. =)

Fecho agora com uma reflexão interessante, o vídeo abaixo apresenta uma leitura de Fernando Pessoa feita por  José Miguel Wisnick, em uma conversa sobre a razão e emoção. Nós ainda entraremos na discussão sobre emoção aqui, contudo não exatamente agora. Estivemos discutindo a razão em oposição a impulso e não a emoção; mas sabemos ser o impulso uma ação cheia de emoção, geralmente desprovida de razão. Será que chegaremos talvez a concordar com Pascal, o filósofo que entoou a famosa frase: “o coração tem razões que a própria razão desconhece”? Deixem seus comentários e vamos levar esta linda conversa adiante! Eu e Carla agradecemos, de coração, a participação de todos. Namastê!

(É vital não nos esquecermos de que somos infinitamente amados pelo universo, só por existir. Assim o contentamente nunca nos deixa!)

Carla Oliveira e Paula Figueiredo