A criança, a jovem, a velha e o mistério.

Quando tempos difíceis ou dias chuvosos aparecem você dá a eles toda a sua atenção? Se você é como a maioria de nós, você o faz. Nada é sempre o que parece. O que parece ruim hoje, pode vir a ser uma bênção amanhã. Iyanla Vanzant ♥

O vazio em dia chuvoso em Paris (e a beirada do meu guarda-chuva)

Antes eu era criança. Hoje sou jovem. A minha idade não importa em nada. Antes eu era criança e hoje sou jovem, pois ainda não sou adulta o suficiente para abandonar toda e qualquer insensatez. Ainda não cresci para deixar de viver a aventura. Ainda não virei gente grande em um monte de questões. Nem abandonei a franqueza.

Algo está mudando, como sempre esteve. Do que tenho, tudo, muito já me faltou e do que tive, não tenho mais. Os significantes variam. O sentido é o vazio (e o movimento). Algo está mudando, como sempre esteve. Diferente é que agora eu vejo, sinto e reconheço o passar do tempo. (E respeito!) Quando era criança, me pensava jovem e achava que seria jovem para sempre: eu nem queria saber o passar do tempo… Agora que sou jovem sei que um dia deixarei de ser assim; o que atesta a minha juventude. Eu ser jovem não tem nada a ver com aparência física. Eu queria nunca deixar de ser jovem, mas vou. Algo está mudando, como sempre. Algo grande e estrutural se despede de mim, pedindo que eu sinta o prazer de estar bem aqui, enquanto o lobo não vem. Enquanto a morte não vem. E me gratifica por saudar a morte com alegria. Pois este é o pedido do tempo.

Quando eu for velha, serei sábia. Terei desaprendido a insensatez por excesso de calma. Terei esquecido a fome de viver. É que quando eu conseguir ser velha eu vou saber que o passar do tempo é a grande dádiva da vida. Quando a hora chegar o meu coração vai estar tão grande que o sentimento do mundo vai me sentir. E a necessidade de existir que ora percebo será desapego.

Eu, com os pés no chão, ainda jovem

As estruturas que perco me fazem ainda mais livre. Enquanto posso, ouço o silêncio confortável de não estar experimentando um vôo. Meu coração se agita quando o cérebro rememora o chão fora dos pés. Temo a Deus, mais nada. Das máscaras que caem eu me despeço com lágrimas rituais. E o peso do meu coração cria asa.

(24/10/2012)

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Sobre Paula Figueiredo

A essência da vida - aprendo a duras penas - é a mudança. O valor supremo, a fraternidade (descanso!). A ação de cada dia (mais que simples): onde quer que eu vá levo um estoque inesgotável de sorrisos. Ver todos os artigos de Paula Figueiredo

Uma resposta para “A criança, a jovem, a velha e o mistério.

  • Erica Gaião

    Paulinha! Que texto magnífico. O melhor da vida é essa dialética do tempo, que faz a gente pressentir a mudança no mesmo instante em que estamos nela. A vida é um mistério, assim como nós…

    Amei. Muito.

    Beijos

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