O que falar da batalha

O que falar da batalha (perdida?) da educação no Brasil? Sinto-me tão impotente diante do quadro atual que, quase por um segundo, penso em desistir. Mas jamais. Desisto não. Certamente, posso optar por contornar a pedra, ou seja, tentar novos caminhos. As frustrações da vida servem apenas pra me deixar ainda mais realizada, ainda mais certa do caminho que escolhi.
Costumo dizer que sou educadora por opção, não por falta de opção. Isso quer dizer que não tenho uma conduta do tipo “faça o seu dever e volte para casa”. O comprometimento que tenho com o que faço é integral: defendo princípios, tenho consciência que atuo politicamente através de minhas escolhas sociais.  Escolho ao consumir ou não certas mercadorias, escolho em que escola meu filho vai estudar, escolho em qual ambiente e com quais questões pretendo conviver cotidianamente no trabalho…
Escolho. Não vou apenas mantendo uma toada que, por acaso, comecei no passado. Não vou apenas mantendo uma escolha ocasional de ontem. Já vivenciei rupturas significativas: mudei de cidade, de faculdade, de trabalho, viajei para o exterior, casei, separei, tive um filho, comecei um namoro… Escolhi. É certo que algumas dessas escolhas não foram totalmente deliberadas, mas a decisão de permitir que uma escolha do passado continuasse a me influenciar no presente (ou não), esta eu tive e tenho todos os dias. E ter a chance de continuar assim é, para mim, essencial. Liberdade. “Eu sou o que sou porque vivo à minha maneira”, cantou Raul Seixas. Exato.
“Egoísmo não é viver como queremos, egoísmo é querer que os outros vivam como queremos eles vivam.” Essa é do Oscar Wilde. Concordo com ele. Tanto, que não espero obter a adesão de outros ao meu estilo de vida, de pensar e sentir. Amo a diversidade, creio na coexistência entre os diferentes e, porque não, no respeito à alteridade. Alguns prefeririam chamar isso de utopia. Mas eu chamo de respeito.
Alteridade. Você conhece essa palavra? O que ela significa para você? Se nunca a ouviu antes, tire uns minutos e tente advinhar. Advinhou? De acordo com a enciclopédia Larousse (1998), alteridade é um “estado ou qualidade daquilo que é outro, distinto (antônimo de identidade)”. Este é um conceito da filosofia e da psicologia que diz da relação de oposição entre o sujeito pensante (o eu) e o objeto pensado (o não eu, ou seja, o outro).
Convivemos diariamente com diferenças nos outros, no mundo e até mesmo em nós mesmos em relação ao que fomos no passado. De que forma lidamos com isso? Como nos tratamos quando nos reconhecemos diferentes dos demais em um determinado ambiente de convivência social: família, trabalho, amigos e mesmo na relação amorosa? O que fazemos quando nos deparamos com o outro – o estranho, o oposto – em alguém muito próximo de nós? Tentamos convencer-lhes (ou a nós mesmos) de que devem mudar? Ou convivemos com essa diferença a partir de uma perspectiva de reconhecimento mútuo?
E como é abordada esta questão em um ambiente repleto de diversidade, a escola? Como esta questão é abordada por sua família e pelo ambiente escolar que você escolheu para seus filhos? As principais instituições da sua vida – a família, a escola, o trabalho, o círculo de amigos – esperam de você que se iguale ou reconhecem, respeitando a sua individualidade própria – e, portanto, diferente – a sua alteridade? E como você age com aqueles que são parte integrante e fundamental de sua vida nesta questão?
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Sobre Paula Figueiredo

A essência da vida - aprendo a duras penas - é a mudança. O valor supremo, a fraternidade (descanso!). A ação de cada dia (mais que simples): onde quer que eu vá levo um estoque inesgotável de sorrisos. Ver todos os artigos de Paula Figueiredo

Uma resposta para “O que falar da batalha

  • Carla Oliveira

    Paula, um tapa na cara este texto e eu adorei esse tapa na cara. E sabe por que? Porque ele acorda e faz refletir. Cá estou eu, no meu mundinho individual (MBA, monografia, mudança de área no trabalho, amor, amigos, família) não sobrando tempo para estas reflexões sociais-filosóficas-psicológicas. E essas reflexões são importantes, aliás sinto falta delas, pois quando dou uma pausa no meu mundinho individual e olho a coletividade esse gesto me torna mais humana e integrada com o todo. Mas, tudo no seu tempo, né? Cada fase e prioridade da vida no seu tempo e com a atenção devida. Mas, nada como desacelerar um pouco e ler um excelente texto. Obrigada pelas palavras.

    Amei a citação do Raul (sou suspeita né?) rsrsrsr, estou com dois documentários do Raul em casa e não vejo a hora de arrumar um tempinho para vê-los. Aproveitando, estou saindo de férias agora no dia 10 e volta dia 26 (hora de descansar um pouco e viajar). Não vejo a hora de voltar aqui na Taverna com novidades.

    Bejin e muita saudade de ocê!!!

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