Vamos à luta!

Houve uma escola em que trabalhei, em que se costumava avaliar os comportamentos das crianças classificando-os como escolhas. Se o resultado de uma delas fosse percebido como “bom” a criança ganhava um reforço positivo (como um elogio ou um sorriso da professora), mas se este fosse visto como “ruim” a mesma recebia um reforço negativo (o que poderia variar de formas verdadeiramente sórdidas).

Não, eu não estou aqui para falar sobre educação (apenas). Tampouco acredito na abordagem de Skinner como uma proposta interessante para se lidar com a chamada “indisciplina” nas salas de aula. “Skinner privilegia conceitos como controle e previsibilidade e dá pouco valor a conceitos como liberdade e realização pessoal. Skinner defende um modelo de educação que parte do meio para o indivíduo, enquanto Rogers – com quem as ideias de Skinner foram confrontadas – defende que a educação deve ser feita do indivíduo para o meio” (excerto da Wikipedia).

Aplicar essa teoria comportamental ao julgamento de nossas escolhas na vida a partir do sabor dos resultados pode vir a ser uma estratégia útil na promoção do auto crescimento. E o fato de o ano novo ter chegado nos lembra de que não temos tempo a perder, não é mesmo?

“Eu acredito é na rapaziada que segue em frente e segura o rojão. Eu ponho fé é na fé da moçada que não foge da fera e enfrenta o leão. Eu vou à luta com essa juventude que não corre da raia a troco de nada. Eu vou no bloco dessa mocidade que não tá na saudade e constrói a manhã desejada”, cantou Gonzaguinha pela primeira vez em 1980. Sou dessas.

Por isso, não quero saber desse papo de “Ano novo, vida nova”. Quero mesmo é ver as pessoas saírem do discurso e partirem pra ação. Fernando Pessoa já atestou: “Querer não é poder… quem quer nunca há de poder, porque se perde em querer”. Concordo com ele e com aqueles que têm fé, mas não se esquecem de trancar o carro. Do que estou eu falando, afinal?

Digo da necessidade de se assumir as próprias derrotas e (porque não?), os sucessos também. Não, você não precisa sair por aí se expondo ao ridículo tanto assim. Mas um momento como este (de virada de ano) poderá ser transformador apenas através dessa revisão interna em que se tem a liberdade e a honestidade de julgar as próprias escolhas como boas ou ruins e – não se esquecer dessa parte – elaborar um comportamento novo para substituir este que deverá cair em desuso. Sem isso, não há simpatia que chegue.

Há quem deixe de fazer o que quer por medo de parecer ridículo. Mas, pare e pense, talvez seja preciso que essas pessoas revejam seus conceitos sobre o que verdadeiramente importa para elas. O que mais impede alguém de deixar ir o velho (o que entrou em desuso, e por isso, não serve mais) é o medo do novo e a clássica dúvida sobre a capacidade de se adaptar às novas condições. Bem, para se saber disso, você já sabe como se faz. Aquele que não se expõe ao erro, não colhe o fruto do aprendizado. Faço, então, uma advertência: não se economize por medo do que os outros possam vir a julgar (como certo ou errado) sobre a sua experiência. Você não veio ao mundo pra satisfazer ninguém. Você nasceu para ser feliz.

Sabemos que a vida não é um “mar de rosas”. O contentamento é uma ciência misteriosa que pode apenas advir da vivência individual e da observação dos resultados das escolhas cotidianas em si mesmo. Esta forma de encarar os acontecimentos poderá servir de base para a construção de algo ainda mais sólido: o autoconhecimento. Pois bem: que tal assumir agora a responsabilidade por sua felicidade e, se há algo nos outros que ainda faz com que você sustente qualquer desculpa que seja para ser infeliz, libere-se. Você é o núcleo da sua vida e ninguém poderá lhe fazer feliz se você estiver atado a uma (falsa) crença de que a felicidade não foi com a sua cara tanto quanto a parceira melancolia.

Não espere mais. Deixe ir o que lhe trouxe dor (sem deixar de aprender, antes, todas as lições possíveis que a dor encerra) e abra-se, pois a vida está desabrochando para você um novo dia. Para usufruí-lo basta que você reconheça isso e receba as infinitas dádivas escondidas neste novo começo. Ajuste o olhar, perdoe-se e vá em frente. A vida é sua. O palco é seu.

“Agora dê a você mesmo um sorriso. Qual é o valor de um diamante se você não sorri?” Rumi

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Sobre Paula Figueiredo

A essência da vida - aprendo a duras penas - é a mudança. O valor supremo, a fraternidade (descanso!). A ação de cada dia (mais que simples): onde quer que eu vá levo um estoque inesgotável de sorrisos. Ver todos os artigos de Paula Figueiredo

Uma resposta para “Vamos à luta!

  • patrícia mc quade

    paula, adorei o texto.
    depois de um dia entediada e pensando na morte da bezerra
    foi uma sacudida para me dar aquela vontade a aproveitar o sol de amanhã e fazer algumas coisas que a tempos adio e que eu sei que me darão momentos de prazer de caminhar só.

    bjs gata.
    e obrigada pelas reflexões.

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