Tchau Radar!

Sou daquelas que interpreta uma história, valoriza algumas partes e que chega a uma conclusão conforme o número de batimentos cardíacos que o enredo provoca em mim. Existem vários botõezinhos na minha cabeça que estão divididos em grandes tags: os papos “cabeça”, os que relaxam a minha cabeça e os que me fazem perder a cabeça. Tento equilibrá-las, mas perder a cabeça é a tag que mantém meu coração vivo. Irônico, pois sem cabeça meu coração não deveria funcionar…

A música é meu aparelho de pressão arterial que mede como estou me sentindo naquele determinado momento. Da última vez que filosofei sobre música, analisei o álbum 21 de Adele, no post “Adele, sabor Chandelle”; a pressão arterial começou alta e foi abaixando, até o fim do texto quando cheguei à conclusão de que “homens também choram e mulheres nunca esquecem uma paixão”. 

Nesse texto, pretendo fazer o mesmo e interpretarei um álbum, mas dessa vez de um homem que é forte, mas também chora: Humberto Gessinger, aquele que acredita que “as grandes coisas da vida você não escolhe, elas acontecem e são inevitáveis”, ou seja, as coisas que saem do controle.

Tchau Radar é o álbum que representa bem esse termo sair do controle. Não surgiu devido aos radares que limitavam as velocidades das estradas propriamente ditas, como muitos imaginam. Surgiu do radar que controlam a estrada da vida. Quando interpretei o álbum num todo fez com que as canções fizessem mais sentido.

Agora trago uma análise de taverneira para a mesa dessa Taverna, interpreto o álbum como um desabafo de um homem que chora por amor, mas supera a dor de um relacionamento que acabou, como Adele, mas num processo diferente, masculinizado.

  • Passo 1 – Sou Foda. Ele não admite, mas no fundo sofre com a perda. Como diz em Eu Que Não Amo Você. “Eu que não fumo, queria um cigarro. Eu que não amo você, envelheci dez anos ou mais nesse último mês. Eu que não bebo, pedi um conhaque pra enfrentar o inverno que entra pela porta que você deixou aberta ao sair…”. (Forte, como o conhaque).
  • Passo 2 – Vou pegar a estrada. Ele não sabe para onde vai, só quer pegar a estrada e sumir. Como diz em Concreto e Asfalto. “Tenho feito meu caminho. Volta e meia fico só. Reconheço meus defeitos e o efeito dominó, mas se eu ficasse ao seu lado de nada adiantaria se eu fosse um cara diferente, sabe lá como eu seria.” (Rápido, como a cachaça).
  • Passo 3 – Olhar para trás. Ele se despede, mas está preso ao aroma. Diz até mais, mas não consegue dizer adeus. Como diz em Até Mais. “Não olhe para mim como se eu fosse invisível, como se fosse possível enxergar nessa escuridão. Não olhe pra trás (odeio despedidas). Diga até mais! Mesmo se for adeus.” (Confuso pelo aroma da Tequila).
  • Passo 4 – A despedida. Ele assume que acabou e altera momentos de euforia, por estar solteiro, e momentos de depressão, por estar sozinho. Como diz em Nada Fácil “Tchau Radar! Eu vou saltar! Não é nada fácil cara, euforia e depressão. Muitas flores no caminho e uma pedra em cada mão”. (Solitário, como a azeitona do Gin).
  • Passo 5 – O fim. Ele aceita o fim e fala para ele mesmo que é melhor seguir em frente. Como diz em Melhor Assim. Foi cruel, mas foi melhor assim. Sei que dói quando chega o fim, dores que ninguém nunca sentiu é o sentimento mais comum. Já vi o fim do mundo algumas vezes e na manhã seguinte tava tudo bem, melhor pra você se ela foi embora, melhor assim”. (Tranquilo, como um copo de chopp).

Humberto Gessinger é o apaixonado filósofo que parece ter bebido muito para esquecer um amor, chorou escondido para aparentar ser forte, achava que estava fugindo de um “radar”, mas a falta desse controle é o que descontrolava sua vida. Passou pelo processo da perda e atingiu a maturidade, perdeu o controle no Olho do Furacão, mas acreditava numa estrada com 10.000 destinos, em cada esquina.

Assim que interpreto o álbum e o coração de um homem que sofre por amor. Homens também choram, mas mesmo descontrolados por um amor perdido, eles vão levantar a cabeça e cantar: “Foi o fim de uma viagem. O guia estava errado, mas há estrelas atrás das nuvens no céu da pátria nesse instante, há um porto escondido no coração do viajante”.

Deixo nessa Taverna o making of do Tchau Radar que conta com as palavras de Gessinger a construção desse álbum e a explicação das canções.

Anúncios

Sobre tatitalima

Tatita Lima contribuiu com álcool e filosofia para esta Taverna no período de 06/04/2011 à 20/01/2012, mas nunca deixará a essência de taverneira porque toda a sua filosofia de bêbada continuará registrada em seus textos. A Tatita Lima continua na rede: twitter: @tatitalima facebook: facebook.com/tatitalima Ver todos os artigos de tatitalima

4 respostas para “Tchau Radar!

Cachaceiro, sinta-se a vontade para deixar um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: