Despir, sair da carapaça

Depois de um longo tempo escondida em minha carapaça saio para respirar novos ares. Nunca fui mística ao ponto de acompanhar horóscopo, muito menos de confiar nas descrições dos signos do zodíaco – seria impossível catalogar o mundo em doze tipologias, mas a probabilidade de acertar é altíssima! A probabilidade de acertar não é visível apenas pela matemática, é também visível pela empatia, pois uma pessoa é formada por todos os signos, uma mistura de simbologias.

Embora seja impossível acreditar que existam doze tipos de pessoas no mundo, admito me fascinar com a representatividade dos signos. Ser representado por um animal, por exemplo, é tão instigante quanto descobrir qual é a sua caricatura para alguém. Minha caricatura é um caranguejo, aquele que depois de mergulhar num oceano sai cuidadosamente andando de lado e veste-se numa carapaça. Seria injusto afirmar que só os caranguejos se protegem numa casa, numa casca protetora, mas ser representado por um animal tão meticuloso é vestir uma fantasia e interpretar o mundo com outros olhos, os olhos de outro animal.

Os touros, os leões, os escorpiões e os peixes também se escondem, mas cada um do seu jeito. Um caranguejo é tão valente quanto um touro, tão feroz quanto um leão, tão inesperado quanto um escorpião e tão sensível quanto um peixe, somos tomos iguais em realidades diferentes. Entretanto, o caranguejo encontra-se apenas num cenário diferente, na realidade entre a terra e a água, “[…] pesos e medidas não servem pra ninguém poder nos comparar […]”.

Todos os signos juntos formam uma pessoa, apenas o que muda são os momentos e a escolha da fantasia. Despir, sair da carapaça, é trocar a fantasia. Abrir o armário e escolher se vestirá a bravura do leão, como um rei, ou o perigoso e real silêncio do escorpião é interpretar o seu papel do dia, variar entre o juízo e a festa, entre a multidão e a solidão. “[…] Simplesmente seja o que você julgar ser melhor […]”, vista uma armadura e sobreviva, como qualquer outro animal.

Então, para representar a caricatura do caranguejo que vos fala, segue uma bela canção que sabiamente diz: “[…] Todo dia é dia de aprender um pouco do muito que a vida traz […]”.

Vista uma fantasia, viva e sobreviva!

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Sobre tatitalima

Tatita Lima contribuiu com álcool e filosofia para esta Taverna no período de 06/04/2011 à 20/01/2012, mas nunca deixará a essência de taverneira porque toda a sua filosofia de bêbada continuará registrada em seus textos. A Tatita Lima continua na rede: twitter: @tatitalima facebook: facebook.com/tatitalima Ver todos os artigos de tatitalima

4 respostas para “Despir, sair da carapaça

  • tiagogrunge

    Realmente dificil acreditar que o mundo se resume a 12 estereótipos.

  • Lessandro

    Ainda continua desprezando a astrologia como ciência (q é o q ela se diz ser, para ter mais veracidade e consequentemente ganhar mais dinheiro…)
    Mas compreendi a msg do post, só não queria perder a oportunidade de expressar meu ceticismo ahhahahaha

  • tatitalima

    Embora acredite que a astrologia está mais para arte e não para ciência, admiro a criatividade da caracterização das pessoas como personagens, num teatro universal.
    Obrigada, Lessandro, por expressar uma pitada de seu ceticismo! =)

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