O tempo

Vós quereis medir o tempo, o qual é infinito e imensurável.

Vós quereis ajustar vossa conduta, e até mesmo dirigir o curso de vosso espírito de acordo com as horas e com as estações.

Do tempo vós quereis fazer um arroio sobre cuja ribeira vós vos sentaríeis e observaríeis o fluxo.

Todavia,  o intemporal em vós está ciente da intemporaliade da vida,

E sabe que o ontem não é senão a memória de hoje, e que o amanhã é o sonho deste.

E que aquilo que louva e contempla em vós reside ainda nas fronteiras daquele primeiro momento, que espalhou as estrelas pelo espaço.

Quem dentre vós não sente  que sua força para amar é ilimitada?

E, todavia, quem não sente que o próprio amor, embora ilimitado, encerra-se no cerne de seu ser, não se deslocando de um pensamento de amor para outro, nem de um gesto de amor ao outro?

E não é o tempo semelhante ao amor, indivisível e insondável?

Porém se em vosso pensamento vós deveis medir o tempo em estações, que cada estação abarque todas as outras estações.

E que o hoje abarque o passado com recordação e o futuro com a ânsia.

(KAHLIL GIBRAN)

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Sobre Carla Oliveira

Uma parte de mim pesa, pondera: outra parte delira. Uma parte de mim é só vertigem:outra parte, linguagem. Traduzir-se uma parte na outra parte - que é uma questão de vida ou morte - será arte? Ver todos os artigos de Carla Oliveira

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