Amar e estar apaixonado

‎”Paixão é pros fracos. Mas amar, ah, o amor, AMAR É PUNK!”
Fernanda Mello, “Amar é punk.”

A Ludmila, do blog http://ludmilamelgaco.blogspot.com/ lançou um questionamento interessante discordando dessa constatação da Fernanda Mello, em suas crônicas virtuais. Nas palavras de Ludmila:

“Ainda não aprendi como amar repousando o coração num lugar tranquilo. Pra mim o amor só tem sentido se vier acompanhado da falta de discernimento. É como diria Vinícius, “o amor só é bom se doer”. Amor tem que ter uma intensidade tamanha que eu só consigo sentir se tiver paixão junto.
Só acho que pra encontrar o ‘tal amor da minha vida’ preciso viver histórias, paixões, amores. Sim, “relacionamento, a gente constrói. Dia após dia…”. Mas pra isso eu preciso primeiramente VIVER a paixão. É como se fosse uma etapa necessária pra saber se o amor vai durar. Ou melhor, se vai valer à pena, pois que seja infinito enquanto dure”
Se bem que amar, se apaixonar, sempre vale à pena. Se ao final não houverem lembranças boas, viver uma paixão é garantia, pelo menos, de aprendizado. De histórias pra contar. Antes de querer viver a sorte de uma amor tranquilo, eu preciso viver a insanidade de um amor passional. Muitas vezes. Intermináveis vezes.
Até porque, mesmo o amor tranquilo tem sabor de fruta mordida”.
Coloco, agora, a minha posição sobre o tema:
Não acho que a paixão é para os fracos.

 

Paixão é para todos. Assim como o amor. O amor também é para todos. Há o amor e a paixão e ambos coexistem.

O que determina o encontro em si, a união, é o grau de magnetismo que une os parceiros, que se buscam, se desejam, se precisam, numa união, primeiramente, básica, carnal, em que o vínculo é, primordialmente, fundado no fato de eu ser uma mulher e, ele, um homem.

O elo essencial é impossível de ser rompido quando a busca intrínseca pelo preenchimento, pela plenitude, atrai dois corpos celestiais em órbita para orbitarem de maneira sincronizadamente apaixonada, surpreendente, intensa, traumática, revolucionária.

Depois da tempestade, encontramos águas mais navegáveis, mas o sabor de fruta mordida tem de ser, conscientemente, mantido pela fé na liberdade individual e pela confiança no sonho de Deus para nós.

A transitoriedade da vida, a equanimidade do olhar para além do medo e do desejo e o serviço amoroso desinteressado ao próximo nos leva inevitavelmente a realizar o potencial divino em nós e em nosso mundo.

A paixão é o termômetro do amor, mas ela não pode jamais, apagar, dispensar, substituir o amor; mas é preciso conviver com ela, assim como com o medo que assombra as almas que se amam: o medo de partir, o medo da despedida, da morte e da insatisfação.

É preciso que vivenciemos cada emoção a seu próprio tempo e que abandonemos o desejo por controlar as manifestações práticas de nossa vida, abrindo nosso coração para amar e sentir gratidão por tudo que a vida traz, incondicionalmente.

“O amor que somos capazes de gerar é o amor que recebemos de volta”. George Harrison

E vamos confiar na vida! 🙂

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Sobre Paula Figueiredo

A essência da vida - aprendo a duras penas - é a mudança. O valor supremo, a fraternidade (descanso!). A ação de cada dia (mais que simples): onde quer que eu vá levo um estoque inesgotável de sorrisos. Ver todos os artigos de Paula Figueiredo

3 respostas para “Amar e estar apaixonado

  • Ludmila Melgaço

    Concordo em gênero, número e grau, Paulinha! Digo e repito que acho impossível separar o amor da paixão. Ambos se somam e se completam num sinergismo sem fim. O amor é necessário para dar sentido à vida e a paixão, ao meu ver, para dar o fogo, a intensidade, e, porque não, a falta de sentido à vida, numa complexidade tamanha que jamais será de todo compreendida.

    Que nós estejamos prontos para receber o amor nas suas mais variadas formas.
    “E vamos confiar na vida!”
    Beijos! =)

  • Paula

    Querida Lud,
    obrigada por seu comentário, amiga. É preciso que superemos a necessidade de ter o que queremos para termos o que realmente precisamos! 😉
    bjs

    E vamos confiar na vida! 🙂

  • Marcio Etiane

    Como este é um site filosófico, cabe lembrar incialmente que em filosofia, antes de iniciar ua discussão e preciso definir os “termos”. No presente caso seria preciso antes definir o que é (qual a natureza) esse sentimento chamado amor.
    Me parece que as pessoas usam a mesma palavra para descrever sentimento e situaçõa distintas.
    Sem entrar no mérito sobre a paixão ser ou não para os fracos, e preciso reconhecer que aquilo queo senso comum chama de paixão é algo muito bom de sentir e viver, desde que seja correspondido. Me parece também que há um certo consenso de que a paixão é ago intenso mas passageiro ao passo que o amor seria algo menos intenso, porém mais perene e principalmente ao contrário da paixao a sensação intrínseca ao amor seria aquela sensação de paz e aconchego que não exige grandes demonstrações (pirncipalmente publicas) de afeto, mas que a simples presença do ser amado já é suficiente para trazer a paz a e harmonia mesmo em maio ao caos.
    Sabios eram o Gregos que possuiam três “classificações” (por assim dizer) de amor: Eroa, Agape e Filos e me parece que os antigos filósofos concordavam que o verdadeiro AMOR é uma combinação desses tres aspectos onde todos estão em equilíbrio …

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